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Litoral Norte entra em Bandeira Vermelha

20 Jun, 2020

   Devido à piora nos indicadores de propagação da Covid-19 e da capacidade de atendimento do sistema de saúde, cinco regiões migraram para bandeira vermelha na sétima rodada do Distanciamento Controlado.

O mapa preliminar foi divulgado pelo governador Eduardo Leite em transmissão ao vivo pela internet no fim da tarde deste sábado (20/6) – acesse em: https://distanciamentocontrolado.rs.gov.br –, mas associações de municípios podem, conforme os novos ajustes na sistemática do modelo, apresentar recurso em até 24 horas (18h de domingo).

Na segunda-feira (22/6), o Gabinete de Crise fará nova análise e divulgará à tarde as bandeiras definitivas, que serão vigentes de 23 a 29 de junho. 

Com o avanço da doença, o Rio Grande do Sul apresenta uma predominância de bandeiras laranja e vermelha. Ao todo, 12 das 20 regiões sofreram mudanças nesta rodada. Contudo, segue sem nenhuma bandeira preta (risco altíssimo).

Conforme a análise preliminar, oito regiões tiveram piora na classificação final e, portanto, terão maiores restrições de suas atividades. Porto Alegre, Capão da Canoa, Novo Hamburgo, Canoas e Palmeira das Missões, que estavam em bandeira laranja (risco epidemiológico médio) foram para vermelha (risco alto).

E três, Pelotas, Cachoeira do Sul e Santa Cruz do Sul, passaram de amarela (risco baixo) para laranja (médio).

Quatro regiões tiveram redução de risco: Caxias do Sul e Uruguaiana, que eram as duas únicas regiões com bandeira vermelha após revisão de dados pelo governo, apresentaram melhora em indicadores e migraram para bandeira laranja. As regiões de Bagé e Santa Rosa também progrediram, saindo da bandeira laranja para amarela.

As demais regiões não tiveram alteração na sua bandeira final, sendo que apenas a região de Taquara manteve bandeira amarela entre as duas semanas.

“Na Região Metropolitana, fica bem claro que estamos vivenciando um momento bem delicado. Desde o início de junho, estamos com uma curva ascendente de casos confirmados de Covid em UTI. Por isso, todos precisam ter muita atenção e adotar cuidados mais rigorosos, tanto os cidadãos como as prefeituras, para que se estabilize essa disseminação do vírus. Precisamos interromper esse crescimento, porque senão vai levar a uma saturação da capacidade de atendimento”, reforçou Leite.

Conforme o governador, o Estado está finalizando a 25ª semana epidemiológica e, tradicionalmente, no início de julho (quando será a 27ª semana epidemiológica) ocorre o pico da demanda de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no RS. Portanto, se torna especialmente importante conter a disseminação do coronavírus.

“Para garantir que haja atendimento a todos, reforço o pedido à população gaúcha para redobrarem os seus cuidados em relação à higiene, uso da máscara, álcool gel, lavar as mãos constantemente. Se todo mundo se cuidar e atender aos protocolos, conseguiremos passar por esse momento que é o mais sensível que vivemos no Estado. Não podemos relaxar nos cuidados agora nem expormos a nós mesmos e os nossos familiares ao risco sem necessidade”, destacou Leite.

Possibilidade de recurso

Segundo anunciado pelo governador Eduardo Leite na terça-feira (16/6), o Distanciamento Controlado passa a ter um prazo para eventuais recursos das Associações de Municípios aos números levantados em cada um dos 11 indicadores que integram o modelo. As contestações devem ser encaminhadas pelo e-mail recursosdistanciamentocontrolado@saam.rs.gov.br.

Esta é a última rodada em que a divulgação das bandeiras está sendo feita no sábado. A partir da próxima, a coleta de dados será na quinta-feira e o anúncio do mapa preliminar ficará para sexta.

Com isso, as prefeituras terão até 24 horas para apresentar recurso. Os dados apresentados serão avaliados pelo Gabinete de Crise na segunda-feira e, à tarde, o governador divulgará as bandeiras definitivas, que passam a valer a partir de terça.

Dentre os ajustes feitos no Distanciamento Controlado, o governo definiu que as regiões classificadas com cor vermelha não poderão ter regras mais brandas que as estipuladas no Decreto Estadual, nas Portarias da Saúde e nos Protocolos Segmentados.

A flexibilização disposta no Distanciamento Controlado aos municípios será permitida apenas em situações de bandeiras amarela e laranja. No caso de medidas mais restritivas, os municípios podem adotar independentemente da cor em que estiverem.

Além disso, existe uma regra que determina que regiões classificadas em bandeiras preta ou vermelha no mapa definitivo por dois períodos consecutivos ou alternados, dentro do prazo de 21 dias, precisarão de duas semanas consecutivas com bandeiras menos graves para que possam efetivamente obter redução no nível de risco. O objetivo deste gatilho de segurança é o de assegurar e caracterizar a efetiva melhora nas condições de uma região.

Indicadores da sétima rodada

O número de novas hospitalizações por Covid-19, nos últimos sete dias, comparado com a semana anterior, apresentou aumento de 55%, passando de 320 para 496. O mesmo se observa com o número de internados em leitos clínicos para Covid-19, que passou de 254 para 386 internações – crescimento de 52%.

O agravamento também é observado no número de casos ativos na última semana, em que passou de 1.456 para 2.402. Por fim, com relação ao número de leitos de UTI livres no último dia, o quantitativo passou de 594 para 600, demonstrando a abertura de novos leitos de UTI no Estado.

RESUMO DA SEMANA
• O número de novos registros de hospitalizações SRAG de confirmados Covid aumentou 55% entre as duas últimas semanas (320 para 496);
• O número de internados em UTI por SRAG aumentou 2,7% no Estado entre as duas últimas sextas-feiras (365 para 379);
• O número de internados em leitos clínicos com Covid no RS aumentou 52% entre as duas últimas sextas-feiras (255 para 386);

Não apenas os indicadores que mensuram a velocidade do avanço na macrorregião tiveram deterioração, mas os relacionados a capacidade de atendimento e a mudança da capacidade de atendimento também apresentaram agravamento da situação. Enquanto na semana passada havia 2,99 leitos de UTI livres para cada leito de UTI ocupado por paciente Covid-19, nesta semana o indicador passou para 1,73.

No comparativo do número de leitos livres de UTI no último dia para atender Covid-19 entre as duas sextas-feiras, a complicação permanece, demonstrando o avanço da pandemia na população da macrorregião metropolitana. Como este indicador reflete a capacidade de atendimento, o alerta é bastante expressivo, principalmente por que é a principal macrorregião do Estado em termos de atendimento à saúde.

Com isso, tanto as bandeiras dos indicadores de internados por SRAG e de pacientes Covid-19 em leitos clínicos quanto as de capacidade de atendimento e mudança da capacidade de atendimento, todas mensuradas pela macrorregião, mudaram de laranja para vermelha nesta semana.

Com a alteração para Bandeira Final Vermelha, objetiva-se que a propagação do vírus inicie um processo de redução, porém ao mesmo tempo, pode ser esperado a continuidade do aumento na utilização da capacidade hospitalar no curto prazo tendo em vista o tempo necessário entre a ação de restrição e a diminuição de crescimento nas hospitalizações.



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