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Sergio Moro afirma que apresentará ao STF provas contra Bolsonaro

30 Apr, 2020

Quando Sergio Moro decretou as primeiras prisões da Operação Lava-­Jato, em 2014, ninguém imaginava que começaria ali uma revolução de consequências históricas para a política, a economia e o combate à corrupção no Brasil. Em quatro anos, as investigações revelaram a existência de uma monumental estrutura que tinha como membros ativos as maiores empreiteiras do país, altos dirigentes de empresas estatais e políticos de todos os quilates — de deputados a presidentes da República. Todos se nutrindo da mesma fonte de um esquema que, durante anos, desviou mais de 40 bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro convertido em financiamento de campanhas eleitorais e propina. O caso fulminou biografias, quebrou empresas, arrasou partidos políticos e desmascarou muita gente que se dizia honesta. A histórica impunidade dos poderosos levou uma surpreendente rasteira — e abriu caminho para que um outsider chegasse à Presidência da República. Com a eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, muitos apostaram que a corrupção sistêmica sofreria o golpe de misericórdia no país — uma tremenda ilusão, segundo o próprio Moro.

“O combate à corrupção não é prioridade do governo”, revela o agora ex-­ministro da Justiça, que foi descobrindo aos poucos que embarcara numa fria. Ele estava em casa na madrugada da sexta 24 quando soube que o diretor-geral da Polícia Federal fora demitido pelo presidente. Mas o episódio foi a gota d’água de uma relação tumultuada. Havia tempo o presidente não escondia a intenção de colocar no cargo alguém de sua estrita confiança. Bolsonaro frequentemente reclamava da falta de informações, em especial sobre inquéritos que tinham como investigados amigos, correligionários e parentes dele. Moro classificou a decisão do presidente de pôr um parceiro no comando da PF de uma manobra para finalmente ter acesso a dados sigilosos, deu a isso o nome de interferência política e, na sequência, pediu demissão. Bolsonaro, por sua vez, disse que a nomeação do diretor da PF é de sua competência e que as acusações de Moro não eram verdadeiras. O Supremo Tribunal Federal mandou abrir um inquérito para apurar suspeitas de crime.


Moro revelou que não vai admitir ser chamado de mentiroso e que apresentará à Justiça, assim que for instado a fazê-lo, as provas que mostram que o presidente tentou, sim, interferir indevidamente na Polícia Federal. Um pouco abatido, o ex-ministro também se disse desconfortável no papel que o destino lhe reservou: “Nunca foi minha intenção ser algoz do presidente”. Desde que deixou o ministério, ele passou a ser hostilizado brutalmente pelas redes bolsonaristas. “Traidor” foi o adjetivo mais brando que recebeu. Mas o fato é que Bolsonaro nunca confiou em Moro. Sempre viu nele um potencial adversário, alguém que no futuro poderia ameaçar seu projeto de poder. Na entrevista, o ex-ministro, no entanto, garante que a política não está em seus planos — ao menos por enquanto. Na quarta-feira 29, durante a conversa com VEJA, Moro recebeu um alerta de mensagem no telefone. Ele colocou os óculos, leu e franziu a testa. “O que foi, ministro?” “O presidente da República anunciou que vai divulgar um ‘vídeo-bomba’ contra mim.” “E o que o senhor acha que é?”, perguntamos. Moro respirou fundo, ameaçou falar alguma coisa, mas se conteve. A guerra está só começando. Acompanhe nas próximas páginas os principais trechos desta conversa.

“O COMBATE À CORRUPÇÃO NÃO É PRIORIDADE DO GOVERNO”
O ex-ministro Sergio Moro recebeu VEJA em seu apartamento em Brasília. Na entrevista, que durou duas horas, ele lembrou que aceitou o cargo de titular da Justiça diante do compromisso assumido por Bolsonaro com o combate à corrupção. Aos poucos, porém, foi percebendo que esse discurso não encontrava sustentação na prática do governo — e ficou bastante incomodado quando viu o presidente se aproximar de políticos suspeitos:

“Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”.

O senhor acusou o presidente Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal. Tem provas disso? O presidente tem muito poder, tem prerrogativas importantes que têm de ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas, na minha avaliação, arbitrariamente. Não teria nenhum problema em substituir o diretor da PF Maurício Valeixo, desde que houvesse uma causa, uma insuficiência de desempenho, um erro grave por ele cometido ou por algum de seus subordinados. Isso faz parte da administração pública, mas, como não me foi apresentada nenhuma causa justificada, entendi que não poderia aceitar essa substituição e saí do governo. É uma questão de respeito à regra, respeito à lei, respeito à autonomia da instituição.

E quais eram as motivações políticas? Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar.

“NÃO POSSO ADMITIR QUE O PRESIDENTE ME CHAME DE MENTIROSO”
O presidente Bolsonaro rebateu as acusações do ex-ministro. Ele negou que houvesse tentativa de interferência política na Polícia Federal e acusou Sergio Moro de tentar negociar a demissão do diretor da PF em troca de sua nomeação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Moro conta por que divulgou uma mensagem trocada entre ele e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e outra entre ele e Bolsonaro:

“Eu apresentei aquelas mensagens. Não gostei de apresentá-las, é verdade, mas as apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo. Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente. Ele sabe quem está falando a verdade. Não só ele. Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade. Por esse motivo, apresentei aquela mensagem, que era um indicativo de que eu dizia a verdade, e também apresentei a outra mensagem, que lamento muito, da deputada Carla Zambelli. O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo”.

Na mensagem, Bolsonaro cita uma investigação sobre deputados aliados e afirma que aquilo era motivo para trocar o diretor da PF. O que exatamente queria o presidente? Desculpe, mas essa é uma questão que também vai ter de ser examinada dentro do inquérito que foi aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar esse caso. Reitero a minha posição. Uma vez dito, é aquilo que foi dito. Não volto atrás. Seria incoerente com o meu histórico ceder a qualquer intimidação, seja virtual, seja verbal, seja por atitudes de pessoas ou de outras autoridades.

O senhor se arrepende de ter largado a magistratura para entrar no governo Bolsonaro? Não. A gente tem esse espelho da Operação Mãos Limpas, na Itália. Foi feito um trabalho fantástico lá pelos juízes, mas houve um retrocesso político na Itália naquela época. Eles lamentavam muito. Embora soubesse que minha ida para o governo seria controversa, o objetivo sempre foi continuar defendendo a bandeira anticorrupção, evitando retrocessos. Não, não me arrependo. Acho que foi a decisão acertada naquele momento. Agradeço ao presidente por ter me acolhido. Assumi um compromisso com ele que era muito claro: combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta. Eu me mantive fiel a esse compromisso.

Fonte: Revista Veja

Mulher registra ocorrência por agressão durante ato pró Bolsonaro

20 Apr, 2020

 

 A manifestação em prol do presidente Jair Bolsonaro e pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) teve episódios de agressão. O protesto aconteceu neste domingo na Rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre, em frente ao prédio do Comando Militar do Sul. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma mulher e um homem vestidos de vermelho e recebendo socos e pontapés de pelo menos um homem.
 A confusão teria começado após uma mulher com uma máscara 'Fora Bolsonaro' ter ficado nua. Ela estava com uma bandeira do Brasil. Uma equipe de reportagem também foi agredida, além da fotógrafa Márcia Velasques Campos, que passeava com seus quatro cachorros e tentou impedir as agressões.

Márcia conta que tentou evitar a manifestação, mas passou pelo local quando uma outra mulher sofria agressões e tentou intervir. “Eu voltei pela calçada inversa da manifestação, só que uma moça e um rapaz estavam sendo agredidos e ela veio na minha direção. Aí esse rapaz pegou os cabelos da moça e puxava com muita força, e eu disse ‘moço não faça isso’ então ele soltou e nessa hora ele fechou a mão me acertou a boca.”

A fotógrafa transitava com carrinho de bebê onde levava seus quatro cachorros da raça shih-tzu. Após a agressão ela registrou Boletim de Ocorrência por agressão na 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Porto Alegre. Segundo Márcia, logo após a agressão o homem fugiu do local correndo.

Como fotografou o homem e divulgou a imagem nas redes sociais, a identificação veio por algumas pessoas que conheciam ele. Segundo os conhecidos, o homem é membro de uma torcida organizada de futebol. Já a PC ainda não confirmou o nome do agressor e o caso será investigado a partir de segunda-feira. Para Márcia restou a incompreensão sobre a agressão sofrida. “Eu estava passeando com meus cachorros em um carrinho de bebê, a troco de que fizeram isso comigo.”

Antes de Márcia receber o soco, o jornalista Jefferson Botega também foi agredido pelo mesmo homem. Ele trabalhava na cobertura pelo jornal Zero Hora quando foi hostilizado pelos manifestantes. Em nota a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) repudiou os ataques ao jornalista. “A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) condena a agressão sofrida pelo jornalista Jefferson Botega, repórter fotográfico de Zero Hora, quando trabalhava na cobertura de ato a favor do presidente da República. O jornalista, assim como demais profissionais da mídia, estava cumprindo sua missão de registro da História neste momento de pandemia e turbulência política”, afirmou o presidente da entidade Luiz Adolfo Lino de Souza.

Sobe para 685 os casos de coronavírus no RS

14 Apr, 2020

O número de casos confirmados de coronavírus no Rio Grande do Sul subiu para 685, conforme o último boletim da Secretaria Estadual da Saúde, divulgado no início da noite desta segunda-feira (13).

O levantamento anterior, no domingo (12), apontava 664 casos.

O estado registra 17 óbitos.

Veja onde foram registrados os novos casos:

Porto Alegre (3)

Ajuricaba

Capão da Canoa (2)

Cruzeiro do Sul

Espumoso

Esteio

Lajeado (2)

Novo Hamburgo

Passo Fundo

Pelotas (4)

Rio Pardo

São Jorge

Sapucaia do Sul

Taquari

Teutônia

Venâncio Aires

Veja abaixo o perfil das pessoas que morreram devido à doença:

Mulher de 91 anos, de Porto Alegre
Homem de 88 anos, de Porto Alegre
Homem de 60 anos, de Ivoti
Mulher de 84 anos, de Novo Hamburgo
Homem de 59 anos, de Porto Alegre
Mulher de 92 anos, de Porto Alegre
Mulher de 73 anos, de Novo Hamburgo
Mulher de 90 anos, de Porto Alegre
Mulher de 44 anos, de Alvorada
Homem de 81 anos, de Porto Alegre
Homem, 53 anos, de Marau
Mulher de 61 anos, de Passo Fundo
Homem de 89 anos, de Passo Fundo
Homem, 66 anos, de São Leopoldo
Homem, 78 anos, de Canoas
Mulher, de 77 anos, de Encruzilhada do Sul



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